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  • Giu Domingues

Prólogo: O pôr do sol na minha janela

Essa é a vista da janela do meu quarto.

Quer dizer, não é mais - desde que eu me mudei para Califórnia, há três anos e meio, ela se tornou a vista do quarto que eu tinha no apartamento dos meus pais. Ainda assim, toda vez que visito a casa deles e vejo o sol se pôr nas montanhas atrás da USP, me vem uma nostalgia intensa. Deve ser por quê a gente se mudou muito pouco durante a minha infância e adolescência, e por causa disso eu passei muito tempo debruçada sobre essa vista, suspirando como só uma adolescente apaixonada consegue suspirar, sabe? Aquele suspiro que vem da alma mesmo, que infla o peito, que até machuca.


Se hoje eu me considero dramática, é por quê eu melhorei muito.


Sempre fui uma adolescente dada à Grandes Emoções - assim, capitalizado mesmo: eu sempre senti tudo muito intensamente, especialmente meus amores. Passava horas escrevendo nos meus diários, detalhando cada encontro com o objeto da minha afeição. Insegura, meio gordinha, nerd - mas também cabeça quente e brigona - eu nunca fui a garota que todos os meninos gostavam (na verdade, bem o contrário), mas uma combinação de contos de fada e paixão por histórias me injetaram com uma dose de romantismo bem alta. Eu sonhava muito com o cara ideal - em 2009, quando tinha só 15 anos, eu escrevi o seguinte post no meu (finado) blog:

É, eu pensava bastante sobre o amor.

Diferentemente de muitas adolescentes, eu não colecionava muita coisa. Eu tinha uns adesivos que eu colava com muito afinco naqueles álbuns com página de plástico, sabe, que você consegue tirar o adesivo depois - mas nunca entendi a graça de um álbum de figurinhas, que você guardava na gaveta depois de completar. Nunca nem completei um álbum - minha natureza procastinadora já dando as caras. Eu nunca colecionei nada.


Mas ontem, sentada com as minhas amigas enquanto a gente tomava vinho e falava merda, lembrando sobre as nossas histórias de escola, me veio uma revelação: eu colecionei uma coisa, sim.


Colecionei corações partidos.


Teve o Rafa, na pré escola, que eu fiz casar comigo - só pra ele pedir o divórcio, oito segundos depois. Teve o André, na segunda série, que terminou comigo depois de eu pedir emprestado o apontador. Teve o Mike, filho do pastor que queria ser virgem até casar mas me levava pra patinar no gelo. Teve o Júlio, o Pedro, o outro Pedro, o Gregório e o Caio. O Lucas, o Francisco, o Sinnus e o Gustavo e o Marcos. 13 garotos, 13 vezes que partiram meu coração. Um álbum completinho, guardado na gaveta até hoje.

(E lógico, tem o Mateus. Mas esse não partiu meu coração. Na verdade, até partiu - mas ele não foi embora.)


E aí eu fiquei me perguntando quantos acidentes teve que sofrer esse coraçãozinho pra sair disso...

Pra isso?


A verdade é que nem eu sei. Só sei que, entre a primeira foto e a segunda, teve muita coisa. Teve declaração que não era pra mim, teve começo e término de namoro por MSN, teve subnick jogando indireta que nunca foi entendida, teve beijo que eu dei com gosto e beijo que eu não deveria ter dado. Teve muito coração partido.


Entre a primeira e a segunda foto, tem eu todinha.

E aí, eu decidi criar esse blog. Como se eu estivesse de novo com 16 anos, olhando o pôr do sol pela janela do meu quarto e suspirando pelo meu novo amor.


Toda semana, eu vou contar uma das 13 histórias dos homens (e outros) que partiram meu coração. Quem sabe eu me encontre um pouquinho nessas histórias - quem sabe, eu não encontre outras coisas. Por quê de uma coisa eu sei: um coração partido é que nem um livro com as páginas marcadas. Acho que eu sempre soube disso.


Essa é outra coisa que eu escrevi no meu blog, ao que parece ser uma vida atrás.

Pra mim, meu coração partido é muito mais bonito que qualquer coração intacto que haja por aí. Corações intactos não amaram, não se deram ao luxo de saber que a vida era bem melhor perto daquela pessoa. Corações sem nenhum arranhão nunca saíram da caixa - são como livros não lidos, intocados, suspirando por falta de um leitor. Digo mais: o coração só vale se for partido. Eu me orgulho de cada arranhão, de cada rachadura, por quê cada uma me ensinou mais sobre você e sobre a gente. Cada uma é uma história, uma emoção incontida, um erro que eu preferia não ter cometido - mas cometi, e me tornei quem sou hoje.

Espero que você venha comigo - e me conte também as histórias de quem partiu o seu coração. Se você quiser trilha sonora pra ouvir as histórias, eu criei - e vou ir atualizando - uma playlist no Spotify com todas as músicas que foram pano de fundo pros beijos, cartas de amor e lágrimas (muuuuitas lágrimas) da minha juventude.





Se você quiser ser avisado toda vez que tem post novo, é só me seguir no Twitter - por lá, eu sou a @giuldom :)


#prólogo #historia

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